O problema não é o Douglas
Estou longe de ser fã do Douglas. Só acho que os problemas do Grêmio não se resumem a ele. Claro, muitas vezes ele irrita. Parece que o jogo não é com ele, que tanto faz se o time está ganhando ou perdendo. Sem falar nos passes errados e nos contra-ataques. Tudo isso eu sei e levo em conta. Só acho que o Douglas, neste momento, é mais uma vítima do que o responsável pelas derrotas do time.
É só lembrar a trajetória do jogador. Não falo no Grêmio. Falo na carreira, desde os tempos de Criciúma, passando pelo São Caetano, pelo Corinthians até chegar ao Grêmio. Vou omitir sua passagem pelo futebol árabe por que, obviamente, não o acompanhei lá. Mas posso dizer: Douglas é o mesmo: indolente, desligado, desinteressado mas, mesmo com tantos defeitos, foi jogador decisivo do bom time do Corinthians e do bom time do Grêmio do ano passado, tanto que chegou à Seleção.
O que mudou? Basicamente, a parceria. Douglas tem defeitos, mas ninguém pode acusá-lo de jogar pros lados. Quando ele erra, é por tentar o passe mais difícil, mais decisivo, que pode resultar em gol. É um jogador que corre pouco, mas faz a bola andar. Joga de primeira, mas segura a bola quando precisa.
Só que no sábado, o que se viu foi a ausência de parceria. Se Viçosa fosse o Tevez, capaz de jogar sozinho e patrolar zagueiros, tudo bem. Mas o Viçosa é o Viçosa. Só. Então, Douglas não tinha com quem jogar.
Recorro mais uma vez à memória do leitor. Seu melhor momento foi no Corinthians, em 2009. O que aconteceu lá? Mano Menezes armou o time com TRÊS atacantes: Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique. Douglas recebia a bola, levantava a cabeça e tinha, pelo menos, três jogadores (de boa qualidade!) a sua frente.
No ano passado, eram dois atacantes: Jonas e André Lima. Mas Jonas, por sua movimentação, era sempre opção para a tabela. Douglas cresceu. E com ele o Grêmio.
Quem sabe o Renato não “inventa” e monta o Grêmio com três atacantes? Apesar de eu ser um retranqueiro de carteirinha, adoraria ver o time com Leandro, André Lima e Miralles/Escudero na frente. Douglas receberia a bola e veria três companheiros para dar sequência à jogada. Aposto que em duas rodadas a torcida pararia de pegar no pé do Douglas.
Claro, ele pode se ajudar e parar de falar bobagem. Não precisa ficar repetindo que só joga com a bola no pé. Até porque é mentira. Quando está a fim, volta, se posiciona à frente dos volantes e rouba duas ou três bolas por jogo. É pouco, mas ajuda.
Assim como ajudaria se Renato não tentasse acomodar os seus bruxos e montasse um time equilibrado. É só aproveitar o melhor que seus jogadores têm a oferecer. Acho que não é pedir demais.
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