Obviedades, vassourada e pacotão
É preciso respirar fundo. Duas, três vezes até. Mas é bom lembrar: não é por perder que está tudo errado, assim como nem tudo estaria certo se o Grêmio tivesse vencido o Gauchão. Até por isso, é importante dizer algumas obviedades.
A primeira: não dá mais para ouvir falar em Arena, Aflitos, imortalidade, dificuldade financeira, condomínio de credores, orçamento, etc. Outra: o Grêmio caiu diante de um adversário que foi mais competente. Mas apenas uma única cobrança de pênalti mais competente.
O que mais me preocupa, no entanto, não é a derrota no Gauchão em si. É o momento do adversário. Poucas vezes um clube fez tanta força para entregar um título para o Grêmio.
Não vou nem falar na vantagem obtida no primeiro clássico e ampliada no chocolate dos primeiros 25 minutos. O Inter é comandado pelo presidente mais frouxo do futebol gaúcho desde, sei lá, Duda Kroeff.
Logo abaixo na hierarquia, vem um dirigente psicótico. Na casamata, de mãos no bolso e um penteado de quem dirige caminhão, espanca a mulher e mora num trailer, um comentarista desatualizado, que recorre a exemplos da Olimpíada de 1972 em suas entrevistas. Falcão protagonizou uma série de lambanças nos seus primeiros jogos. O Inter era um amontoado de jogadores até o final do primeiro tempo do jogo no Olímpico.
E, mesmo assim, o Grêmio não conseguiu o título. Pra deixar bem claro: o Grêmio perdeu pra esse bando.
Para dar volta olímpica, botar faixa no peito e guardar troféu no armário, só em 2012. Não conto com o título brasileiro.
Agora, aproxima-se o momento da vassourada. Ótimo. Até então, a direção gremista se via engessada por uma série de questões (orçamento apertado, competições em andamento, pressão do técnico, etc). Chegou a hora de mostrar serviço, de garimpar bons jogadores no mercado.
Pelo que ouço no rádio e leio nos jornais e na internet, haverá uma reformulação grande no grupo. Perfeito. Quer dizer, quase perfeito. O Grêmio pretende trabalhar com um grupo de 28 jogadores. É um erro. O plantel precisa ser maior.
Até 10 dias atrás, o Grêmio jogava sem oito titulares. Para encarar o Brasileirão com algum sucesso, é preciso consistência. E isso, no meu entendimento, só se adquire com grupo homogêneo e numeroso.
Com relação às dispensas, não sei quem vai embora. A princípio, concordo com todas. Não há jogadores insubstituíveis no Grêmio de hoje. Então, é tudo questão de saber quem contratar para o lugar de quem sai.
Por outro lado, as carências são grandes. Eu buscaria dois zagueiros, dois laterais esquerdos (não quero correr o risco de ver o Gilson por ali tão cedo), um volante, um meia e dois atacantes. Viçosa e Leandro são promissores, mas ainda não são confiáveis.
Só com um pacotão de reforços o Grêmio vai brigar por uma vaga na Libertadores 2012. E domingo estarei lá no Olímpico de novo.
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21/05/2011 às 21:36
“…e um penteado de quem dirige caminhão, espanca a mulher e mora num trailer (…) recorre a exemplos da Olimpíada de 1972 em suas entrevistas”.
Épico, hehehe.