O problema não é o Douglas

Publicado 13/06/2011 por Gabriel
Categorias: Imortalidade

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Estou longe de ser fã do Douglas. Só acho que os problemas do Grêmio não se resumem a ele. Claro, muitas vezes ele irrita. Parece que o jogo não é com ele, que tanto faz se o time está ganhando ou perdendo. Sem falar nos passes errados e nos contra-ataques. Tudo isso eu sei e levo em conta. Só acho que o Douglas, neste momento, é mais uma vítima do que o responsável pelas derrotas do time.

É só lembrar a trajetória do jogador. Não falo no Grêmio. Falo na carreira, desde os tempos de Criciúma, passando pelo São Caetano, pelo Corinthians até chegar ao Grêmio. Vou omitir sua passagem pelo futebol árabe por que, obviamente, não o acompanhei lá. Mas posso dizer: Douglas é o mesmo: indolente, desligado, desinteressado mas, mesmo com tantos defeitos, foi jogador decisivo do bom time do Corinthians e do bom time do Grêmio do ano passado, tanto que chegou à Seleção.

O que mudou? Basicamente, a parceria. Douglas tem defeitos, mas ninguém pode acusá-lo de jogar pros lados. Quando ele erra, é por tentar o passe mais difícil, mais decisivo, que pode resultar em gol. É um jogador que corre pouco, mas faz a bola andar. Joga de primeira, mas segura a bola quando precisa.

Só que no sábado, o que se viu foi a ausência de parceria. Se Viçosa fosse o Tevez, capaz de jogar sozinho e patrolar zagueiros, tudo bem. Mas o Viçosa é o Viçosa. Só. Então, Douglas não tinha com quem jogar.

Recorro mais uma vez à memória do leitor. Seu melhor momento foi no Corinthians, em 2009. O que aconteceu lá? Mano Menezes armou o time com TRÊS atacantes: Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique. Douglas recebia a bola, levantava a cabeça e tinha, pelo menos, três jogadores (de boa qualidade!) a sua frente.

No ano passado, eram dois atacantes: Jonas e André Lima. Mas Jonas, por sua movimentação, era sempre opção para a tabela. Douglas cresceu. E com ele o Grêmio.

Quem sabe o Renato não “inventa” e monta o Grêmio com três atacantes? Apesar de eu ser um retranqueiro de carteirinha, adoraria ver o time com Leandro, André Lima e Miralles/Escudero na frente. Douglas receberia a bola e veria três companheiros para dar sequência à jogada. Aposto que em duas rodadas a torcida pararia de pegar no pé do Douglas.

Claro, ele pode se ajudar e parar de falar bobagem. Não precisa ficar repetindo que só joga com a bola no pé. Até porque é mentira. Quando está a fim, volta, se posiciona à frente dos volantes e rouba duas ou três bolas por jogo. É pouco, mas ajuda.

Assim como ajudaria se Renato não tentasse acomodar os seus bruxos e montasse um time equilibrado. É só aproveitar o melhor que seus jogadores têm a oferecer. Acho que não é pedir demais.

Obviedades, vassourada e pacotão

Publicado 16/05/2011 por Gabriel
Categorias: Imortalidade

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É preciso respirar fundo. Duas, três vezes até. Mas é bom lembrar: não é por perder que está tudo errado, assim como nem tudo estaria certo se o Grêmio tivesse vencido o Gauchão. Até por isso, é importante dizer algumas obviedades.

A primeira: não dá mais para ouvir falar em Arena, Aflitos, imortalidade, dificuldade financeira, condomínio de credores, orçamento, etc. Outra: o Grêmio caiu diante de um adversário que foi mais competente. Mas apenas uma única cobrança de pênalti mais competente.

O que mais me preocupa, no entanto, não é a derrota no Gauchão em si. É o momento do adversário. Poucas vezes um clube fez tanta força para entregar um título para o Grêmio.

Não vou nem falar na vantagem obtida no primeiro clássico e ampliada no chocolate dos primeiros 25 minutos. O Inter é comandado pelo presidente mais frouxo do futebol gaúcho desde, sei lá, Duda Kroeff.

Logo abaixo na hierarquia, vem um dirigente psicótico. Na casamata, de mãos no bolso e um penteado de quem dirige caminhão, espanca a mulher e mora num trailer, um comentarista desatualizado, que recorre a exemplos da Olimpíada de 1972 em suas entrevistas. Falcão protagonizou uma série de lambanças nos seus primeiros jogos. O Inter era um amontoado de jogadores até o final do primeiro tempo do jogo no Olímpico.

E, mesmo assim, o Grêmio não conseguiu o título. Pra deixar bem claro: o Grêmio perdeu pra esse bando.

Para dar volta olímpica, botar faixa no peito e guardar troféu no armário, só em 2012. Não conto com o título brasileiro.

Agora, aproxima-se o momento da vassourada. Ótimo. Até então, a direção gremista se via engessada por uma série de questões (orçamento apertado, competições em andamento, pressão do técnico, etc). Chegou a hora de mostrar serviço, de garimpar bons jogadores no mercado.

Pelo que ouço no rádio e leio nos jornais e na internet, haverá uma reformulação grande no grupo. Perfeito. Quer dizer, quase perfeito. O Grêmio pretende trabalhar com um grupo de 28 jogadores. É um erro. O plantel precisa ser maior.

Até 10 dias atrás, o Grêmio jogava sem oito titulares. Para encarar o Brasileirão com algum sucesso, é preciso consistência. E isso, no meu entendimento, só se adquire com grupo homogêneo e numeroso.

Com relação às dispensas, não sei quem vai embora. A princípio, concordo com todas. Não há jogadores insubstituíveis no Grêmio de hoje. Então, é tudo questão de saber quem contratar para o lugar de quem sai.

Por outro lado, as carências são grandes. Eu buscaria dois zagueiros, dois laterais esquerdos (não quero correr o risco de ver o Gilson por ali tão cedo), um volante, um meia e dois atacantes. Viçosa e Leandro são promissores, mas ainda não são confiáveis.

Só com um pacotão de reforços o Grêmio vai brigar por uma vaga na Libertadores 2012. E domingo estarei lá no Olímpico de novo.

A Libertadores não é para ingênuos

Publicado 27/04/2011 por Gabriel
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Não, o Grêmio ainda não foi eliminado da Libertadores. Pode até chegar a Santiago, fazer uma partida de exceção e se classificar. Este é o problema: se passar, será graças a uma partida de exceção. É avançar para cair logo adiante, pela fragilidade do plantel (o grupo será devidamente analisado nos próximos dias).

Então, vou concentrar a minha torcida no jogo de domingo. É a maior chance que temos de dar uma volta olímpica nesse ano. E o melhor: na casa do rival.

Adilson, Douglas e Rochemback foram os melhores do Grêmio contra a Universidad Católica

Adilson, Douglas e Rochemback foram os melhores do Grêmio contra a Universidad Católica. Foto: Mauro Schaefer/CP

Ontem, contra a Universidad Católica, não faltou garra aos jogadores do Grêmio. O empenho de Adilson e Rochemback foi comovente. Douglas teve momentos brilhantes. Gabriel foi mais participativo do que o habitual. Leandro sentiu a dificuldade, mas não pipocou.

Só que esse time do Grêmio não sabe jogar Libertadores.

Faltou ser copero. Faltou malandragem. Faltou catimba.

Não tenho dúvida que o juiz era fraquíssimo. Desde o começo do partida os chilenos cercavam o apitador, conversavam, pressionavam. Os jogadores do Grêmio olhavam tudo de longe.

O time do Grêmio não soube provocar o adversário. Não percebeu que o juiz não dava qualquer falta e ficou forçando quedas sem necessidade. Pior: Borges, rodado, experiente, caiu na provocação e deu uma cotovelada sem razão num zagueiro.

Desse jeito é IMPOSSÍVEL ganhar uma Libertadores. A Copa não é para ingênuos.

Borges foi expulso e pode ter jogado a Libertadores fora

Borges foi expulso e pode ter jogado a Libertadores fora. Foto: Mauro Schaefer/CP

Chegou a hora

Publicado 25/04/2011 por Gabriel
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Tá difícil manter a assiduidade no Largo dos Campeões. Como o tempo é curto, serei objetivo e darei meus pitacos sobre a vitória diante do Cruzeiro e as decisões da semana:

Magrão e Leandro marcaram na vitória sobre o Cruzeiro

Magrão e Leandro marcaram os primeiros gols na vitória de 3 a 2 sobre o Cruzeiro. Foto: Cristiano Estrela/CP

1 – Gostei do time com três volantes no sábado. O trio Rochemback, Magrão e Adilson deu mais estabilidade pra equipe. Ainda penso que um terceiro zagueiro seria o ideal, mas esse modelo pode funcionar. Quem caiu de produção foi o Douglas, que perdeu a parceria do Lúcio ali no meio.

2 – A bola aérea defensiva segue sendo um terror. A lesão de Victor só vai agravar o problema.

3 – Não considero o Marcelo Grohe mau goleiro. É mediano. Não treme, é verdade, mas tem seus defeitos, entre eles a saída de gol. Sei que é impossível substituir o Victor à altura, mas acho que o Grêmio deveria ter contratado um goleiro melhor no começo da temporada. Eu avisei aqui. Já perdemos duas Libertadores (2002 e 2009) por não contar com o titular na hora decisiva.

4 – Vi um jogo e meio do Universidad Católica na Libertadores. Achei um time perigoso. Vi um genérico do Verón que parecia ter qualidade. E o craque do time, o tal Mirosevic, deve voltar contra o Grêmio. De qualquer forma, é inadmissível tomar gols de cabeça de um time chileno. A média de altura deles deve ser de 1m63cm, mais ou menos.

5 – Para conhecer melhor o adversário de terça-feira recomendo uma visita ao blog Grêmio 1983.

6 – Dos desfalques do Grêmio para o jogo do fim de semana, o que mais me preocupa é Bolatti. Ele faz gols, é verdade, mas não joga nada. Ontem, errou 90% dos passes e só deu pau. Qualquer um que entrar no seu lugar criará mais problemas.

7 – Contar com a “ajuda” da FGF em assuntos que dizem respeito ao Grêmio é perda de tempo. Novelletto até faz de conta que corre atrás, mas vai sempre a não chegar.

8 – O que tá acontecendo com o Borges? Ele pode não ser o centroavante dos sonhos, mas não precisa jogar tão mal como nos últimos seis jogos.

9 – Agora não adianta mais reclamar a ausência de fulano, de beltrano, pedir reforços, etc. A gente faz um balanço mais adiante. É com esses jogadores que vamos encarar a Libertadores e o Gauchão. Tô fechado com os 11 que entrarem em campo. É a camisa do Grêmio contra a dos outros. E falta um jogo só pra ser campeão gaúcho…

Varzeano

Publicado 15/04/2011 por Gabriel
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O que foi aquilo ontem à noite? Depois de levar 3 a 0 do misto do Oriente Petrolero, é difícil demonstrar otimismo em relação ao futuro do Grêmio. O time foi varzeano. Anêmico no ataque, poroso na defesa.

A pior atuação do ano?

A pior atuação do ano? - Foto: AFP

Em alguns momentos, me lembrei do indolente Grêmio comandado por Autuori nos jogos longe do Olímpico. Em outros, lembrei do anárquico Grêmio do Silas.

Escudero parecia um xerox do Fábio Pinto. Mario Fernandes regride a cada jogo. Rodolfo conseguiu uma façanha: não aparece nas imagens da TV em dois dos três gols que o Grêmio sofreu.

Nem o Rochemback se salvou ontem. Jogou fora de posição e passou o segundo tempo todo correndo atrás dos habilidosos, talentosos, organizados, ricos e experientes meias adversários (isso é uma ironia, ok?).

Em resumo: o Grêmio foi um desastre. E não faltam responsáveis.

1) Jogadores: a preguiça foi generalizada. Faltou controle por parte do Rodolfo, expulso quando o jogo estava decidido e o resultado já não mudaria mais a classificação à próxima fase. Borges está em péssima fase. Gabriel não ganha uma dividida. Fernando jura que é o Seedorf, mas tá jogando a bolinha do Leanderson. Ah, se os jogadores do Grêmio mostrassem em campo o mesmo aguerrimento que uns e outros mostram no Twitter…

2) Renato Portaluppi: o técnico arriscou e se deu mal. Para preservar um sistema que deu certo no ano passado e ainda não mostrou a mesma eficiência em 2011, decidiu improvisar Gabriel no meio. Porra, onde já se viu entrar em campo com QUATRO laterais? Vinícius Pacheco seria uma alternativa mais natural.

Não só isso: depois da saída de Collaço, mesmo com três volantes, o time não teve nenhuma consistência. Todo mundo atacava ao mesmo tempo e ninguém voltava para marcar.

É preciso organizar o time e definir tarefas para os jogadores. Só motivar o grupo, disputar rachões e ficar preso a uma única fórmula, sem alternativas, é muito pouco para um treinador.

3) Direção: o time perde Jonas. A direção não contrata substituto. André Lima se lesiona. A direção não contrata substituto. Fábio Santos não renova. A direção não contrata substituto. Paulão vai pra China. A direção não contrata substituto. Escudero e Carlos Alberto, arrisco dizer de forma definitiva, não deram e não darão certo no Grêmio. Assim, fica difícil.

É apostar – de novo – todas as fichas na imortalidade. Ah, mas tem a gurizada da base, alguém pode dizer. Fala sério. Com exceção de Leandro, nenhum deles é capaz de acrescentar qualidade a um time que quer ser campeão da Libertadores.

Lúcio foi mal no meio e na lateral

Lúcio foi mal no meio e na lateral - Foto: AFP

No momento, parece que o Grêmio pegaria o América do México. Não consigo imaginar um adversário melhor – talvez só o Colo Colo, que é bem fraquinho. Em geral, as equipes mexicanas são formadas por jogadores baixos e enfeitados. Se a partida endurecer, é só levantar a bola na área. Pena que isso vai mudar com os resultados da próxima semana. Ou seja, a perspectiva é preocupante.

 Obs.: este texto foi escrito após uma noite mal dormida, pesadelos com um ex-dirigente do Grêmio, muita dor de cabeça na manhã de sexta-feira e um mau humor que deve seguir nas próximas horas.


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